sábado, 26 de novembro de 2011

RECOMEÇAR


Era uma vez...
O menino-amor que voltou
acordou debaixo da saia amarela,
se encontrou em meio as luzes multicoloridas
ouviu o toque da dançarina
aquela que vivia escondida...
dentro da caixa de música,
a cada gole Dionisíaco
seu coração 256 por hora
em mergulhos profundos
abrindo os caminhos
nunca antes habitados.
O menino viu o sol amarelo-vermelho
...nascente.
O pequeno iniciante,
quase não sabia
mas ousou-se a conhecer
sempre recomeçando
no sabor da face do belo girassol
ou no pé rio
Os olhares se misturam
e ele murmurou no catavento
o nome dela
Passeando para o seguinte horizonte
vou derreter a neve
Talvez o universo tenha traçado esse caminho

HANS MULLER

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Bailarina das Neves

O Casulo

em Cem mil flechas de Ártemis.

No Castelo de Orquídeas azuis

algumas formigas...

carregando os seus pesados enlaces de emoções.

Ali próximo, com os passos tímidos

o sonhador e as quimeras da bailarina das neves...

entre eles a esplanada.

O terceiro passo, o quarto

Passa o tempo

Olhos abertos

Em qualquer direção dela

Sem que ela se mova.

Depois vem a folia

e só amanhã talvez,

Hoje eu não quero levantar desse mundo

Quero permanecer nessa doçura de vento.

Apague as luzes, porém não quero dormir

Venha dançar a nossa música de saudade

Espargir a bruma

na curva do rio

no contato infinito

pois no final continuo

vai chover roseiras multicoloridas

e a fotografia das quatro estações.


HANS MULLER

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O enigma da natureza libertina

Chagall


Ao som dos raios e trovões
O vento brincava na noite escura
em meio as árvores,
Lá pelas tantas
me vi dentro do espelho
diante de um pássaro branco
reversado-me do traje
já premeditado
fechei os olhos para acordar
inútil
pois estava no infinito distante.
eu vivi e morri
eu morri e vivi.
Depois sorri
e entreguei-me ao sol da noite.
O tempo esperando
horas apressado, minutos paciente
sempre ali nos observando.
O pássaro branco foi o tempo,
o tempo foi o branco
o branco no tempo
o pássaro e eu
e eu já não era eu
fora ou dentro do tempo.

Hans Muller

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Grito de horror


Auguste Rodin

Apedreja-me
Até que meu pálido corpo vil
estenda-se sobre a terra da morte
cuspa-me
...
Na cara
Na venta
de saliva cálida.
acrescente umas pétalas de horror
e depois veja
o meu sangue escorrendo na beira do rio
Ouça a minha voz de falso poeta suicida
O acaso é inexistente
E a Arte mais uma vez revelou a minha alma
na tela popular
nos folhetos
Susto
Frio de arrepios
hipnotismo
meditações
O beijo dentro do orvalho
A história intima
Nasce a cada segundo
Quero deitar nesse sussurro
do tempo que me toca
para o caminho da dama dourada.
E dentro do silencio secreto
esperar a nova doçura
do carrossel de aventuras
e descobertas
porém os titãs e as feras
querem nos devorar.

[Hans Muller]

domingo, 31 de julho de 2011

Retalhos Coloridos

Chagall

Nos pergaminhos.
palavras desconhecidas,
Das reencarnações ou vidas passadas,
Noite de duas luas cheias
Uma vermelha, a outra amarela
Data de 17 de abril
Eu me lembro,
Sim, eu guardei na gaveta da lembrança
O prazer que senti...
Permanece em carne viva,
Com traços intensos,
E o pulsar da cachoeira
Que eu nunca Hei de esquecer
Do corpo enfeitado ,
Branco e azul claro...
Lírios, cravos e rosas

Ela com seu abebé
Meus sentidos acordaram no rumor das águas,
Com Retalhos coloridos
O espaço dentro do tempo
Eu sou filho do rio
Fefé
Paisagens expressionistas
Cardápios de quadros a mastigar
Continuo afirmando
A extrema linha flutuante
Ninguém ouse tingir em outras cores
Esse espetáculo estético .


Hans Muller

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Multiquadros encaracolados

Dali

Alcançar a beira do rio

Sentir os pés no chão

Meu mundo,

Caminhos da águas

Correntezas

O que a de vir...

Depois dos calcários.

Talvez não saiba a causa,

Eu vejo uma flor surgindo

Suas pétalas estão brotando

Na mais leve calmaria

Harmonização

Distante imaginar

Como será o formato ideal?

Vestígios

Do presente, do futuro

Multiquadros encaracolados

O seu mundo e sua beleza.

Mistério dividido

Flutuando no vermelho,

Em cada passo dado

Transformação do tempo

Flor em flor

Símbolos da revelação


Hans Muller

domingo, 29 de maio de 2011

Suspeitas profundas

A coluna partida,1944-FRIDa

Milagre...

Fixação, palavras sem sono

Na Ponta do nariz.

Reconhecer os medos

Da infância

As lacunas, os labirintos.

O grito sacudiu-me.

Anormais

Repetições sonoras

Coisas inabituais

Múltiplas interrogações

Diversos eus difusos

Um toque sensível

Uma Lágrima morta

Antes e depois

Uma pedra tampando a luz,

A única fresta que me coube

Ainda assim continuei

Em busca daquele último gole de água.

A outra opção era um crucifixo...

Encaixado ao peito vil.


[HANS MULLER]



sábado, 16 de abril de 2011

Os mosaicos atemporais

Rodin

17 de abril
A boca adoça,
O rio continua no seu movimento
No mais íntimo
Num jogo dramático
Como um raio-X
Tiramos as máscaras
Apresentamos nossa face.
Está Registrado no Catálogo
No livro da borboleta
Guardado dentro do baú antigo
Preso aos destroços do navio pirata.
Não houve outra igual,
Não há ninguém capaz...
De desatar os nós do meu sapato
Pois foste a primeira a encontrar fórmula
Que toca a criança pequena
E embaraça os meus ângulos
Entre as lágrimas e o sorriso
Diante das formas.
A porta continua aberta.
As letras se encaixam
Com a não simetria
A disritmia
A imperfeição
Fez-se o duplo em UM
365 dias
Numa trilha de curvas e retas
Calendário irreal
Flui cruzando o tempo.
Quero tocar os astros,
O verde do gramado.
Beber a gota da lua cheia
Encharcar-me dos banhos dourados
Continuar a nascer
Nessa viajem de prazer
Entre a metáfora e metonímia
Correr sobre as miragens
Metamorfosear a memória
Transformá-la em ladrilhos Daquela Poesia.

[Hans Muller]

sábado, 9 de abril de 2011

Um milagre do tempo





Meu pensamento,

uma transição

transformada

depois da descoberta

das águas-girassol.

Abri a janela

Mergulhei no mais profundo das águas doce

Sem medo de errar.

Atento...Ouvir seu canto matriarcal.

No banho da noite

Vinte e duas gaivotas

Dois girassóis

Detalhes em fogo

Um milagre do tempo

O nascimento do herói

A força do menino Oxalá

E a menina Oxum

Derramando-se um sobre o outro,

Unidade

Absorvendo os quatro elementos.

Além dos sentidos

Além das formas

Além do limites

Equilíbrio estético

Tese e Antítese.


[Hans Muller]

Pintura: Marc Chagal - La baie des Anges (1963).

sexta-feira, 25 de março de 2011

Menina-flor

Menina de tabocas,
Cidade do cacau.
Das muitas alegrias,
E dos tristes fins
Para o novo começo.
Menina dos olhos de ouro,
Da boca de mel da Jaca,
Menina do rio Grapíuna
Do girassol amarelo,
Do chocolate
Das poesias.
Doce menina
Os sons,
As melodias da terra molhada,
Da chuva que acabara de cair
Do silêncio da noite.
Das sementes pré-nascidas,
O fogo da saudade,
A mata virgem...
Gritando seu nome
Menina-flor.

Eu sou o menino dela

Ela é minha menina.

Fluidos

A borboleta se equilibrando...

Lentamente

no cabelo bordado de girassol

a dançarina bailando ao vento

o aconchego e o sabor

o Palco vibra

as águas caminham sensíveis

coberta de pétalas da lua cheia

e a menina continua a brincar no rio

E que tudo seja apenas UM.


[Hans Muller]

quarta-feira, 9 de março de 2011

As letras embriagadas

O bilhete amassado

Possui-a a ternura,

Com letras garranchadas.

E o sonho do menino-amor.

De tamanha beleza é o seu amor,

Se ela um dia soubesse,

Só Deus sabe,

Bem sei.

[Hans Muller]

Caribé

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Além do que se possa ir.

Tento fazer as paisagens que sinto...

Assim passeio por sua presença de vento.

Ah, desejo me jogar mais,

além da águas rasas,

Além da consciência...

Ir além do que se possa ir.

[Hans Muller]

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Ventos cruzados

Ah, ventos daqui se tu pudesses

Levar-me para os ventos de lá

Nessa alta noite.

Onde nossas almas possa se encontrar

voarei para próximo de ti,

como a lua que cabe na janela do olhar.

vibrarei tua presença.

erguendo-a para o templo

A arte.

boca florida.

A distância que não existe.

A música

Arrastando seu perfume até meu corpo,

como uma torrente de ar.

Caminhando meu caminho.

Procuro me banhar da tua presença espiritual.

tempo e voz

Secretos... o ar e o orvalho.

Corações

bailando heroicamente

os ecos da Era luz.


[Hans Muller]

Imagem: Gibran

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O menino e o seus sonhos

Sonho porque é preciso.

Menino de Maria,

Do mundo de Alice,

Menino que dança pelo sitio

A dança amarela. Do saci, e da Emília

Menino príncipe da serpente de chapéu,

Até as altas aventuras,

Menino ancestral,

Das nascentes e dos poentes

Do broto do cacau,

Menino do barro,

Os milhares de anos

Colhendo as flores para presentear seus cabelos lisos

Menino café com leite pela manhã

Depois o gosto da chuva,

Menino do banho de bica,

Da poeira a levantar

Menino-amor

Menino dos trilhos, do rumo, do sumo

Menino de Cintia e Simone

Da amigas imaginárias-reais

Menino do surrealismo, do dadaísmo

Das imagens sem forma

Sou o menino dos sonhos gigantes

Do João, do feijão,

Das cantigas de roda.

Dos Eres

Dos heróis loucos

Eus meninos

Menino criança

Menino de Frida e Bernada

menino do girassol

menino da Olivia Palito.

Um e os vários Hans

Todo e completo

Dela.

[Hans Muller]

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A gota e o fruto

Na mistura das gerações, o vestido e a bermuda.

Como se fosse a primeira vez.

Escolhas.

O sumo ideal.

Gota a gota

Até hoje me lembro da semente plantada.

Manhã de Frutos

Clássico.

Molduras.

colunas de milhares de anos

águas puras

A corrida pela grama

você na varada daquela casa, sentada na cadeira de balanço.

O espanto.

A gratidão.

O menino e a menina,

Vida.

O rio.

as brincadeiras.

A corrida de volta para casa.

o banho.

a toalha verde.

Os dedos molhados da menina.

A pele de neném

o colo.

o Sorriso.

AS crianças.

E a sua beleza a nos observar

[Hans Muller]

Imagem: Gibran khalil Gibran